1 Fontes de dados e período de análise
A metodologia aplicada assenta na combinação de quatro conjuntos de dados, que permitem analisar as várias dimensões do problema em estudo: dados de oferta planeada de transporte público (GTFS), de operação em tempo real (GTFS-RT), de infraestrutura viária (OpenStreetMap) e de procura.
O período de análise para a oferta planeada e para a procura é uma quarta-feira útil (20/05/2026), por ser considerado um dia típico de operação. Para a monitorização em tempo real da performance operacional, por ser uma análise mais fina com detalhe ao nível da viagem individual, foi considerado um período mais alargado, de duas semanas úteis, entre 13 e 30/04/2026 (14 dias), de forma a conseguir capturar várias amostras para a mesma viagem.
1.1 GTFS (General Transit Feed Specification)
O GTFS (MobilityData, sem data) é um formato aberto e padronizado para representar a oferta programada de transporte público. Um feed GTFS é composto por um conjunto de ficheiros CSV comprimidos num arquivo .zip, descrevendo paragens (stops), linhas (routes) e as suas geometrias (shapes), viagens (trips) e horários (stop times) planeados, para um ou vários operadores de transporte (agencies).
No contexto desta análise, os dados GTFS são a principal fonte de informação sobre a oferta de serviço planeada. Os principais ficheiros utilizados são:
| Ficheiro | Descrição |
|---|---|
stops.txt |
Coordenadas geográficas e identificadores das paragens (stop_id) |
routes.txt |
Identificação (route_id) e metadados das linhas |
shapes.txt |
Geometria espacial dos vários percursos de cada linha (shape_id) |
trips.txt |
Associação de viagens (trip_id) a linhas (route_id) e percursos (shape_id) |
stop_times.txt |
Horários programados por paragem (stop_id) para cada viagem (trip_id) |
calendar.txt / calendar_dates.txt |
Calendário de operação por dias da semana e exceções |
O feed atualizado da GTFS da Carris Metropolitana está disponível de forma aberta na sua API própria (Carris Metropolitana 2026b). Foi utilizada a versão descarregada a 19/05/2026, o dia anterior ao período de análise (20/05/2026). Esta versão está disponível no repositório histórico de GTFS da MobilityData (MobilityData 2026), em https://files.mobilitydatabase.org/mdb-2027/mdb-2027-202605190105/mdb-2027-202605190105.zip.
1.2 Dados de operação em tempo real (GTFS-RT)
O GTFS-RT (General Transit Feed Specification - Real Time) é uma extensão do protocolo GTFS que permite a partilha de informação sobre a execução da operação em tempo real, incluindo posições GPS dos veículos, atrasos e alertas de serviço.
No contexto desta análise, são utilizados os dados de posicionamento de veículos (VehiclePosition) para calcular métricas de velocidade observada em cada segmento de via.
Os dados resultam de uma recolha executada de forma periódica (uma vez por minuto) nos dias úteis entre 13 e 30 de abril de 2026 (14 dias), utilizando a API oficial da Carris Metropolitana (Carris Metropolitana 2026a). O código utilizado para a coleta e agregação destes dados está disponível em github.com/U-Shift/GTFShift-DI/tree/main/scripts/00_fetch_rt.
1.3 OpenStreetMap (OSM)
O OpenStreetMap (OpenStreetMap, sem data) é uma base de dados geográfica colaborativa e de acesso livre, utilizada nesta análise como fonte de informação sobre a infraestrutura viária. O OSM tem por base três estruturas de dados: nós (OSM nodes, OpenStreetMap Wiki, sem data-b), segmentos1 (OSM ways, OpenStreetMap Wiki, sem data-a) e relações (OSM relations, OpenStreetMap Wiki, sem data-c). Por sua vez, cada uma tem-lhe associada um conjunto de etiquetas (tags) que permitem descrever as características destes elementos. Desta base de dados são recolhidas as seguintes informações:
- Relações com
route = bus: listam, para cada linha de transporte público, o conjunto de segmentos (da via) e nós (paragens) que a compõem, sendo utilizadas para associar os percursos GTFS à rede viária; - Número de vias de trânsito por sentido, extraído das etiquetas dos segmentos (
lanes,lanes:forward,lanes:backward, …); - Existência de corredores bus, extraída das etiquetas dos segmentos (
lanes:psv,lanes:bus, …); - Existência de estacionamento, extraída das etiquetas dos segmentos (
parking:lane, …).
Para extrair esta informação do OSM são utilizadas as bibliotecas de R osmdata (Maspons et al. 2026) e osmextract (Gilardi et al. 2026).
1.4 Dados de procura
Obtiveram-se dados de procura (número de passageiros) através da API de métricas da Carris Metropolitana (Carris Metropolitana 2026a). Foi recolhido o número de passageiros agregados por linha e por dia, considerando o dia 20/05/2026.
Estes dados permitem ponderar a análise de priorização pelo volume de passageiros transportados, identificando os segmentos onde o impacto de medidas de priorização do transporte público poderia ser maior. A associação entre dados de procura e a rede viária é feita através do identificador de linha (route_short_name), que é cruzado com o GTFS para obter o route_id correspondente.
O código utilizado para a recolha destes dados está disponível em github.com/U-Shift/GTFShift-DI/blob/main/scripts/00_demand/carris_metropolitana.R.
Apesar da tradução oficial para o termo inglês “way” na documentação do OSM ser “linha” ou “caminho”, para efeitos deste relatório utiliza-se a tradução “segmento”, de forma a evitar a sobreposição com o mesmo termo aplicado a uma linha de transporte público (GTFS route).↩︎